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Terça-feira, 28 de Agosto de 2018 - 09:02

Yin Yang: harmonia e equilíbrio entre opostos

Por Renata Montanhana
Quando eu era criança me fascinava o desenho do círculo preto com um pontinho branco e do círculo branco com um pontinho preto. Lembro de desenhar várias e várias vezes durante as aulas que eu não gostava e nem conseguia me concentrar — e tomava muitas broncas de professores por causa disso. Fato é que meu interesse pela acupuntura e pelo Yin Yang já vem dessa época.

No artigo de hoje, vou explicar mais sobre um dos principais pilares da medicina chinesa: o conceito Yin Yang, sua interação, seus ciclos, o equilíbrio que traz, e a forma com que ele promove a energia vital, a força a vida e o QI.

Como o Yin Yang funciona no corpo?

O Yin Yang flui pelo nosso corpo através dos meridianos e está presente em todos os órgãos. Desta forma, a maioria das doenças está, de acordo com a tradição chinesa, relacionada ao excesso ou insuficiência do QI.

Para os estudiosos da filosofia taoísta, a criação do universo é considerada uma força da natureza e não uma obra divina. Trata-se de uma força que está em contínua evolução. Lembram do primeiro artigo, em que eu conto a vocês que a acupuntura é uma medicina que propõe o equilíbrio do indivíduo, relacionando o meio ambiente, o corpo e a mente?

O Yin Yang tem uma função importante na acupuntura: ele explica as disfunções patológicas e os mecanismos de vida no corpo. Não há, assim, o conceito de qualidade — no sentido de melhor ou pior, certo ou errado. O importante para o acupunturista é o equilíbrio das duas forças e dos ciclos para uma saúde perfeita.

Sempre que o acupunturista nota em seu paciente uma tendência repetida, como uma dor insistente, já sabe que há uma força que está prevalecendo ali, por causas externas (que poder ser o clima) e também internas.

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Yin Yang: pólos opostos

E é exatamente essas causas internas que precisam ser analisadas e tratadas.

O trabalho é feito por meio da concentração total no paciente para entender onde está o desequilíbrio e tratar da melhor forma aquilo que está em desarmonia, reequilibrando as forças Yin Yang.

Quando o paciente também ajuda e coopera nesse processo, o tratamento é muito mais eficaz e duradouro.

E por que existe esse tal de QI — a nossa energia vital, como chamam os chineses?

Além da responsabilidade das funções e da funcionalidade de cada órgão, a nossa energia vital (ou fluxo da vida, como também é chamada) relaciona-se com os mais diversos processos naturais do nosso organismo: digestivo, circulatório, intestinal, respiratório, a atividade mental (importantíssimo na medicina chinesa), a produção de calor do corpo e também a proteção contra influências externas, que sabemos ser causas de muitas doenças.

Todas essas funções são comandadas pelo equilíbrio ou desequilíbrio do ciclo Yin Yang, e é por isso que é tão importante dar atenção a ele.

Referências:
WANG, Bing. Princípios de Medicina Interna do Imperador Amarelo (Dinastia Tang – Edição bilíngue). São Paulo. Editora Ícone. 2001.
Stux, Gabriel e Pomeranz Bruce. Basics of Acupuntur. Springer-Verlag – Berlim, 2004.
Donatelli, Sidney: Macro e microcosmos: visão filosófica do taoísmo e conceitos da medicina tradicional chinesa. São Paulo. Editora CLA, 2007.
Jr. Dulcetti, Orley. Pequeno tratado de acupuntura tradicional chinesa. Sâo Paulo. Editora Andrei, 2001.
Soulié de Morant, George: L’Acupunture Chinoise, Maisonneuve, 1934
Dao de Jing (Tao Te king), Lao Zi

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