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Terça-feira, 18 de Dezembro de 2018 - 09:17 - Atualizado em 18/12/2018 09:28

Tratamento de Artrose com Acupuntura e Auriculoterapia

Artigo baseado no TCC de pós-graduação em Acupuntura das alunas Bruna P. C. da Cruz e Emanuelle C. Ferraz.

Osteoartrose ou doença degenerativa da articulação é a forma mais comum de artrite e artrose. Afeta frequentemente indivíduos a partir da meia-idade e acomete pescoço, coluna lombar, joelhos, quadris, e articulações dos dedos, principalmente das mãos. Quase 70% das pessoas acima de 70 anos, tem evidência radiográfica desta doença, mas somente metade desenvolve sintomas. Pode acontecer em articulações traumatizadas previamente de modo prolongado e excessivo, por infecções, ou mesmo por processos inflamatórios e crônicos.

Os sintomas são: dor, fraqueza nos membros, limitação da função articulatória, perda do movimento, rigidez, formigamento em membros inferiores, limitação da amplitude circulatória, espasmo e atrofia muscular, dor e sensibilidade a palpação e mobilização.

Para a MTC a artrose se dá devido à invasão de fatores patogênicos e consequentemente   dando origem ao bloqueio do QI (energia) e XUE (sangue) nos canais energéticos, umidade calor ou umidade frio nas articulações, assim como déficit da energia YIN do RIM. Na medicina chinesa o Rim está relacionado ao elemento água. A principal função do rim é guardar a essência pré-natal (Jing) proveniente dos pais e dos antepassados. O rim também é responsável pelo crescimento, reprodução, desenvolvimento, formação óssea e dentaria, produção da matriz medular, formação da massa encefálica. Abriga a vontade, sendo a base do YIN e YANG de todo corpo. De acordo com os cinco elementos, o rim governa a água e controla os ossos. Qualquer desequilíbrio energético envolvendo este elemento pode levar a um prejuízo da integridade óssea. Ou seja, uma deterioração ou fraqueza óssea pode ser relacionada a uma deficiência da energia do Rim. Outra relação patológica importante envolvendo a energia do rim é em relação à cronicidade das doenças, pois, o rim quase sempre é afetado nas doenças crônicas (MACIOCIA,2007).

Este estudo avaliou o tratamento de artrose com técnicas de acupuntura em dois grupos diferentes, com 10 voluntários, sendo 5 em cada grupo. Tratou um grupo com recurso de ação energética dos pontos e moxabustão; e o outro grupo de voluntários tratou apenas com auriculoterapia chinesa. O estudo prospectivo, randomizado e controlado foi através de um tratamento com pacientes voluntários que apresentaram um quadro de artrose que fosse crônico, porém em fase aguda e que de acordo com uma avaliação feita com parâmetros da medicina tradicional chinesa os colaboradores para esta pesquisa teriam como diagnóstico energético, a deficiência do yin do rim. Foram tratados dois grupos de voluntários:  grupo A e grupo B, sendo grupos de cidades diferentes. Grupo A com 5 voluntários de Campinas, (SP) e grupo B com 5 voluntários de Extrema, (MG), com faixa etária acima de 50 anos, sexo masculino e feminino.

Foram realizadas 5 sessões, uma por semana, com duração de 40 minutos cada sessão, durante em 1 mês. Para cada grupo foi proposto um tratamento. Ao grupo A foi proposto o tratamento com a técnica de auriculoterapia chinesa e para o grupo B, tratamento com acupuntura e moxabustão.

O GRUPO A utilizou a técnica de auriculoterapia chinesa. Os pontos utilizados foram: shenmen, rim, fígado, pulmão, sistema nervoso central (SNC), hélix 1, vesícula biliar e baço. Os voluntários permaneceram com as sementes de mostarda nos pontos auriculares por uma semana.  O lado da orelha foi alternado a cada sessão e os pacientes orientados para pressioná-las durante o dia a dia.

PONTOS AURICULARES:

Shenmen (fossa triangular): primeiro ponto utilizado em qualquer tratamento auricular, acalma a mente, indicado também para analgesia e dores de toda a natureza.

Rim (concha de cimba): tem influência positiva sobre a essência pré-natal e sobre o yin e yang de todo corpo, favorece o ciclo das águas.

Fígado (hélix): equilibra a livre circulação de energia e sangue.

Pulmão (concha cava): influência na dispersão e descendência dos fluidos do corpo equilibra a via das águas.

SNC – Sistema Nervoso Central (anti-hélix): regula o sistema neurovegetativo, relaxando a musculatura lisa.

Hélix1 (entre a cruz superior da antihélix e o tubérculo - no hélix): dores em região dos quatro membros, artrites.

Vesícula biliar (concha cimba): promove o movimento das energias.

Baço (concha cava): mantém sangue dentro dos vasos, equilíbrio da energia do pós-natal.

O GRUPO B utilizou a acupuntura sistêmica com as técnicas de ação energética dos pontos com aplicação da agulha em posição neutra, por 20 minutos e moxabustão na região dorsal com a técnica em varredura por 10 minutos. Foram utilizados os pontos: R1, R3, R7, F3, B11, VB34, IG4.

PONTOS UTILIZADOS E A AÇÃO ENERGÉTICA DOS PONTOS:

R1: (Na planta do pé entre os ossos 2º e 3º metatarso, cerca de um terço anterior do pé.) – Tonifica yin, acalma yang e o fogo fígado e coração, acalma o shen e ativa os sentidos (olfato);

R3: (Na linha da proeminência do maléolo medial, numa depressão entre o maléolo medial e o tendão de Aquiles.) – Tonifica QI e quando utiliza moxabustão tonifica o yang do rim.

R7: (2cun acima da proeminência do maléolo medial, frente ao tendão de Aquiles.) – Tonifica yang do rim e QI, elimina umidade e junto com IG4 (intestino grosso) provoca sudorese;

F3: (Na depressão entre o 1º e o 2º metatarso próximo às bases metatarsais.) – Mestre dos tendões, acalma o shen, tonifica QI, alivia estagnação do fígado, promove fluxo suave do QI, circula xué, evita invasão do Baco pâncreas, estomago por QI do fígado, alivia estagnação de QI e xué (no tórax e nas mamas).

B11: (1,5 cun lateral a linha mediana posterior, na altura da borda inferior do processo espinhoso da 1ª vértebra torácica.) – Mestre dos ossos e atuam em todas as patologias ósseas.

VB34: (Na depressão anterior e inferior da cabeça da fíbula.) – Mestre da medula e promove o livre fluxo suave do QI no fígado.

IG4: (No lado radial, entre o 1º e o 2º osso metacarpal.) – Interrompe a dor, dispersa vento e calor, alivia espasmos junto com (R7 e F3), beneficia os olhos, nariz, orelha, boca. Acalma a mente, domina o QI rebelde do estomago, pulmão e do fígado.

Ainda no GRUPO B também foi aplicada a técnica de moxabustão indireta com a extremidade acesa do bastão a uma distância de 2 cm. da superfície do corpo, realizando movimento em varredura na região dorsal, de vai e vem na horizontal, sobre o trajeto do meridiano, por aproximadamente 10 minutos. Esta técnica apresenta indicações como: deficiência de QI, tonificar yang, circular o QI e o xue nos meridianos, doenças degenerativas, patologias crônicas, lombalgias por frio, lesões em desportistas, patologias de frio, umidade e vento, paralisia facial, distúrbios respiratórios e prevenção de doenças.

RESULTADOS

O quadro abaixo mostra o resultado evolutivo da dor referente ao GRUPO A que foi submetido a técnica de auriculoterapia. Observa-se que foram realizadas 5 sessões e foi possível avaliar a diferença do nível de dor em alguns voluntários, conforme as sessões foram realizadas. Voluntários que seguiam as orientações obtiveram melhora significativa do quadro de dor.

2018, artigos, editor,
Evolução do nivel de dor

O quadro a seguir mostra a evolução do  GRUPO B e nota-se que todos os voluntários conforme as sessões foram sendo realizadas, obtiveram melhora significativa do quadro de dor, sentiram se bem com o uso da técnica de moxabustão referindo alivio nas dores durante as semanas que as aplicações eram realizadas, mesmo observando que 2 voluntários não seguiam as orientações, foi possível notar melhora do quadro de dor dos mesmos.

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Evolução nivel de dor

CONCLUSÃO:

Este estudo mostrou que a dor crônica da osteoartrose em pouco tempo será um caso de saúde pública, pois afeta 70% da população mundial. A Medicina Tradicional Chinesa não classifica as doenças de forma tão restrita como faz a medicina ocidental. Para a MTC não existe uma doença, mas sim uma desarmonia ou desequilíbrio energético do indivíduo que necessita de um tratamento geral, visando seu equilíbrio como um todo. O objetivo da pesquisa foi analisar a evolução de cada tratamento proposto de acordo com a melhora relatada pelos voluntários através de uma escala de pesquisa (EVN). E de acordo com os resultados apresentados foi possível notar melhora do quadro de dor dos pacientes voluntário, mostrando dessa forma que a MTC e suas técnicas são de grande importância na redução dos quadros álgicos.

Autora do Artigo: Carla Ceppo

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