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Terça-feira, 09 de Janeiro de 2018 - 13:36 - Atualizado em 09/01/2018 14:01

Psoríase na Vertente da Medicina Tradicional Chinesa - observações de artigos científicos

PENÉLOPE R. MARANGONI CARDOSO

Artigo elaborado baseado em partes do Trabalho de Conclusão de Curso. Autora do artigo: Profa. Larissa A. Bachir Polloni - CETN

A psoríase é uma doença crônica inflamatória com uma incidência variável a nível mundial e é caraterizada por ter um largo grau clínico de heterogeneidade, com períodos de exacerbação e remissão. A totalidade da sua patogênese é difícil de elucidar, embora exista a teoria prevalente de que se trata de uma doença autoimune em que a epiderme e a proliferação capilar são afetadas pela liberação excessiva de citoquinas por linfócitos resultantes de interações genéticas com fatores ambientais e o sistema imunitário. Fatores ambientais como traumas, infeções, álcool, tabaco e stresse podem ajudar na propagação da patologia, mas a maneira como a sua forma aguda é despoletada encontra-se ainda desconhecido (Krueger e Ellis, 2005; Pradhan et al., 2013; Schmitt et al., 2007)

É considerada na forma de moderada a severa em 20% dos pacientes e, embora não seja contagiosa nem mortal, deixa os seus portadores diminuídos tanto a nível social como profissional. O seu impacto negativo é de tal forma forte em alguns casos, fato suportado pelos resultados das fundações que estudam a psoríase a nível mundial, que 30% dos portadores da patologia, principalmente na forma de moderada a severa, já ponderaram o suicídio. Esta correlaciona-se ainda com outras patologias como a depressão, a doença crônica cardiovascular e a diabetes (Pradhan et al., 2013). Uma vez que atualmente, é incurável, os tratamentos visam a diminuição do impacto desta na vida social e na forma física do portador, prolongando o tempo entre recidivas, melhorando a qualidade de vida do paciente (Rodrigues e Teixeira, 2009).

A sua denominação vem do grego “psoriasis”, que significa erupção sarnenta, e a primeira descrição do tratamento de uma condição semelhante data de 1550 a.C., no Papiro de Ebers, sendo que esta só foi diferenciada da lepra no século XVIII. Durante o século seguinte acreditou-se que resultaria de um processo de regulação anormal do crescimento dos queratinócitos ou que tinha uma origem inflamatória, conhecimento alterado apenas em 1970 quando desenvolvimentos ocorridos na imunologia celular identificaram a participação de células sanguíneas na psoríase. A partir de 1982, as investigações mostraram tanto a presença como a importante função das células T nas lesões promovidas por esta patologia, passando a ser vista como uma desordem autoimune baseada na detecção imuno-histológica de anticorpos e complementos depositados na placa córnea da pele atingida pela doença (Rodrigues e Teixeira, 2009)

Atualmente sabe-se que é necessária a presença de um conjunto de fatores (genéticos, imunológicos e ambientais) para o desenvolvimento da doença. Está associada a uma predisposição genética, mas a transmissão pais-filhos não obedece a um padrão mendeliano, tendo um modo de herança multifatorial, e não sendo explicada unicamente pela associação a antígenos de histocompatibilidade (HLA), em particular o haplotipo CW6 (Cuestra-Montero e Belinchón, 2011; Martins e Arruda, 2004).

De acordo com o local da lesão e em suas diferentes manifestações clínicas, a psoríase é dividida em diferentes tipos (AZULAY, p. 504, 2001):

 Psoríase Vulgar – Psoríase crônica em placas:

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Figura 1 – Cotovelos afetados por psoríase em placas.http://orientacaomedicaessencial.com.br/psoriase-sintomas-tipos-e-tratamento/

 Psoríase Gutada: 

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Figura 2 – Psoríase gutadahttp://orientacaomedicaessencial.com.br/psoriase-sintomas-tipos-e-tratamento/

Psoríase Palmoplantar:

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Figura 3 – Psoríase nas palmas das mãos.http://orientacaomedicaessencial.com.br/psoriase-sintomas-tipos-e-tratamento/
 

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Figura 4 – Psoríase plantar.http://orientacaomedicaessencial.com.br/psoriase-sintomas-tipos-e-tratamento/

Psoríase Inversa:

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Figura 5 – Psoríase inversa.http://orientacaomedicaessencial.com.br/psoriase-sintomas-tipos-e-tratamento/

Psoríase Eritrodérmica:

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Figura 6 – Psoríase eritrodérmica.http://orientacaomedicaessencial.com.br/psoriase-sintomas-tipos-e-tratamento/

Psoríase Pustular :

 

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Figura 7 – Psoríase pustular.http://orientacaomedicaessencial.com.br/psoriase-sintomas-tipos-e-tratamento/

Psoríase Ungueal:

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Figura 8 – Psoríase ungueal.http://orientacaomedicaessencial.com.br/psoriase-sintomas-tipos-e-tratamento/

Psoríase Artropática:

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Figura 9 – Psoríase artropática.http://orientacaomedicaessencial.com.br/psoriase-sintomas-tipos-e-tratamento/

Psoríase do couro cabeludo:

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Figura 10 – Psoríase no couro cabeludo.http://orientacaomedicaessencial.com.br/psoriase-sintomas-tipos-e-tratamento/

ETIOLOGIA DA PSORÍASE NA MTC : Do ponto de vista da MTC, a psoríase é uma doença desenvolvida pela deficiência de sangue ou calor interno, devendo as causa dessa doença ser por combinações de fatores patógenos externos.

Segundo Niu Yu-Shi (2004) a psoríase é causada por Calor e Secura no Sangue, que dão origem ao Vento–toxinas que deságuam na pele e quando associados à Umidade agravam a doença, já Zhou Zhi-Yong e Yang Chen-bo (2003) afirmam que quando a doença evolui para a cronicidade o Sangue não é nutrido e este fato provoca a Deficiência do Sangue e a má nutrição dos canais e colaterais, no entanto, Garcia et al (2004) diz que a psoríase pode ser causada por Deficiência de Qi de Pulmão e excesso ou hiperatividade de Calor ou de Yang de Fígado, Baço e Rins, já Liao e Liao (1992) apontam que a psoríase é uma doença de pele causada pelo acúmulo e Estagnação de Qi associada aos patógenos Vento e Calor que prejudicam a circulação local de Sangue e Qi causando lesões puntiformes e irregulares comumente encontradas em pacientes com psoríase, por fim, MACIOCIA (2007) afirma que o Vento pode associar-se ao Calor, que é de natureza Yang e, em excesso, pode consumir o Yin e danificar os Fluídos Corpóreos, causando pápulas, pruridos e vermelhidões, frequentemente encontrados entre os sinais e sintomas da psoríase.

Podemos notar que, segundo referências acima mencionadas, que os fatores patógenos externos envolvidos na psoríase são Vento, Calor, Umidade e Secura; as Substâncias Fundamentais são Sangue e Qi e os Zang Fu acometidos são, principalmente, o Pulmão, o Fígado, o Baço e os Rins.

Um fator etiológico muito importante nessa questão da psoríase vem a ser a irregularidade na dieta, outro fator etiológico da psoríase, apontado tanto pela Medicina Oriental quanto pela Medicina Ocidental, é a questão da hereditariedade. A associação entre os problemas emocionais e a doença cutânea parece clara, contudo, é difícil decidir se a mente influencia a doença ou vice-versa. Usualmente, são ambas verdadeiras. Se tratando das emoções, de modo geral são apontadas como fator de surgimento ou exacerbação do problema. Sabe-se que as doenças da pele interferem na qualidade de vida dos pacientes, sendo necessário conhecer e avaliar o seu impacto, com o intuito de encontrar a melhor abordagem terapêutica.

PADRÕES DESARMÔNICOS DA PSORÍASE: Segundo MACIOCIA (2007), os padrões de desarmonias associados à psoríase são: Estagnação de Qi no Fígado, Fogo do Fígado afetando Pulmão, Deficiência de Qi do Pulmão, Secura de Pulmão, Deficiência de Qi de Baço, Deficiência de Yin de Rim.

TRATAMENTO DA PSORÍASE PELA MTC: A Medicina Tradicional Chinesa, possui um diagnóstico diferenciado analisando como causa das desarmonias, as alterações no fluxo de energia Qi do paciente, e não as alterações nos componentes estruturais do organismo, como é a base da medicina ocidental.

O tratamento da psoríase pela acupuntura deve levar em consideração os padrões de desarmonias energéticas existentes, sendo, que o principal padrão, de acordo com Yamamura e Nakano (2005, p.138) é a estagnação de Qi e de Xue (Sangue). Além disso, os autores acrescentam que as lesões da psoríase podem ser tratadas individualmente, cercando-as.

Os princípios básicos de tratamento envolvem dispersar o Vento e o Vento-Calor, dissipar a Umidade, umedecer a Secura e diminuir o Calor do Sangue (ZHOU ZHI e CHENG- BO, 2003; LIAO e LIAO, 1992, NIU YU-SHI, 2004, YAMAMURA e NAKANO, 2005).

Niu Yu-Shi (2004) em seu estudo selecionou 16 homens e 24 mulheres com psoríase, com lesões em membros superiores e cabeça. Utilizou os pontos: Zhigou (TA 6), Quchi (G11) e Hegu (IG 4); pontos auxiliares: XueHai (BP 10) e SanYinJiao (BP 6). Se as lesões fossem somente na cabeça os pontos auxiliares eram: Ying Xiang (IG20) e SuLiao (VG25). Se as lesões fossem em MMII: Xue Hai (BP 10), San Yin Jiao (BP6) e Zu Sanli (E 36). Se as lesões afetassem o corpo inteiro: Da Zhui (gv140, QuChi (IG 11), HeGu (IG 4), XueHai (BP 10) e San Yin Jiao (BP6). Inseriu as agulhas uma vez por dia durante 20 dias, por meia hora (durante este tempo a agulha foi estimulada 1-2 vezes). O resultado foi o desaparecimento das lesões em 19 pacientes (47,5%) e melhora da escamação e da coceira em 21 (52,5%).

Zhou Zhi-Yong e Yang Chen-bo (2003) estudaram 12 pacientes (9 homens e 3 mulheres, entre 21-63 anos que sofriam de psoríase de 25 dias a 20 anos. Os pontos escolhidos no protocolo consistiam em: Fengchi (VB20), Fengmen (B 12), Sanyinjiao (BP6), Yinlingquan (BP 9), Quchi (IG11), Xuehai (BP10), Tianjing (TA10) e Shaohai (C3). Após a inserção da agulha estes pontos foram estimulados e ficaram inseridos por 10 minutos. O tratamento foi realizado cinco vezes por semana, por 1 mês. O resultado foi 67% de melhora em grande parte dos sinais e sintomas, 25% com melhora parcial e 8%  sem melhora alguma em seu quadro.

Comparativamente, Garcia et al (2004) realizou um estudo experimental com 41 pacientes diagnosticados com psoríase, de ambos os sexos e com lesões em diferentes partes do corpo, maiores de 15 anos. Foram realizadas 10 sessões em dias alternados, num total de seis ciclos, com descanso de 10 dias entre cada ciclo. Os pontos usados foram Quchi (IG11), Zusanli (E36), Chengguang (B 6), Baihui (Du 20), Zhigou (TA6), Shuiquan (R5), Zhongfu (P1) e Lieque (P7). O resultado terapêutico foi satisfatório, pois em 72% dos casos os sinais e sintomas foram eliminados, de maneira que só 28% persistiram com as lesões, demonstrando eficácia no tratamento com acupuntura segundo estes autores, independente do sexo, idade e local das lesões.

Lopes e Belkis (2009) aplicaram um estudo aberto em 110 pacientes com diagnóstico clínico e histopatológico de psoríase. Os pacientes foram divididos aleatoriamente em dois grupos (n=55). Um grupo foi tratado com fototerapia (grupo A) e outro com Acupuntura Sistêmica (grupo B). Ambos receberam tratamentos semanais durante quatro semanas. Os pontos usados foram: Shenmen (C7), Hegu (IG4), Quchi (IG11), Zusanli (E36), Lieque (P7), Sanyinjiao (BP6) e Xuehai (BP10). Ambos os grupos evoluíram satisfatoriamente, pois os pacientes tanto do grupo A (54%) quanto do grupo B (46%) apresentaram branqueamento das lesões e desaparecimento do prurido na segunda semana de tratamento.

Liao e Liao (p.195-208, 1992) realizaram um estudo em 61 pacientes com psoríase onde 25 eram do sexo masculino e 36 do sexo feminino, a maioria deles tinha lesões bastante extensas por todo o corpo e não tinham respondido bem ao tratamento ocidental convencional. Eles receberam, em média, cerca de 9 a 13 sessões de Acupuntura, de acordo com a severidade de suas lesões. Os principais pontos utilizados foram Quchi (IG11), Xuehai (BP10) e Zusanli (E36). Os autores utilizaram apenas estes três pontos nos membros superiores e inferiores, bilateralmente, afirmando serem os mais eficazes para doenças de pele em geral. A agulha foi aplicada na periferia ou no centro das lesões. Com o tratamento de acupuntura, cerca de metade (50%) dos 61 pacientes tiveram quase completo desaparecimento das lesões; cerca 14 pacientes (23%) tiveram uma folga de cerca de dois terços das lesões, oito (13%) deles tiveram folga de um terço das lesões e nove (14%) pacientes mínimas ou nenhuma melhora com o tratamento.

Assim, podemos observar que, de acordo com os relatos dos trabalhos acima apresentados a acupuntura é considerada um método efetivo de tratamento para pacientes com psoríase, especialmente quando o tratamento convencional é ineficaz.

CONCLUSÃO: O estudo deste trabalho de conclusão de curso foi realizado através de pesquisas bibliográficas, considerando a relevância do tema, buscando conhecer sob o olhar da Medicina Tradicional Chinesa, os benefícios da Acupuntura no tratamento da psoríase. As técnicas da Medicina Tradicional Chinesa mais utilizadas nos estudos avaliados foi o agulhamento em pontos de acupuntura pré-estabelecidos.

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