Imprensa

Terça-feira, 31 de Julho de 2018 - 09:38 - Atualizado em 31/07/2018 09:53

Meridianos da acupuntura: canais que transportam energia

julho, 2018, imprensa,
Julho
Por Renata Montanhana

A energia vital — ou a força da vida –, que é conhecida na medicina chinesa como Qi, flui no nosso corpo através dos chamados meridianos da acupuntura e está presente em todos os órgãos do nosso corpo.

Mas o que são esses meridianos? Por analogia, foram chamadas de meridianos as linhas que circulam pelo globo e que são fundamentais no diagnóstico e tratamento de doenças, promovendo a integração do corpo como um todo.

Entendendo mais sobre meridianos da acupuntura

Na acupuntura, sabemos que tanto causas externas (como o clima) quanto causas internas podem desbalancear nossa energia e desregular as funções do nosso corpo. Por isso, dizemos que o importante é sempre buscar o equilíbrio entre corpo/mente e o meio em que estamos.

Neste sentido, os meridianos prestam papel fundamental. Para que se entenda, na medicina chinesa os meridianos estão relacionados com cinco elementos da natureza. Esta relação é conhecida como a Teoria dos Cinco Elementos, que fala da existência de uma relação fisiológica entre os órgãos do nosso corpo e cinco elementos principais presentes na natureza: água, fogo, madeira, metal e terra.

Funciona assim: os rins (água) alimentam o fígado de energia. O fígado (madeira), por sua vez, armazena o sangue que vai ajudar o coração. O calor do coração (fogo) aquece o baço (terra) que transforma a essência dos alimentos e enche o pulmão (metal), que purifica essa essência e, nesta circulação de fluídos, também auxilia a água dos rins.

Meridianos e os órgãos

Como cada órgão pertence a um elemento, para você entender melhor vou explicar algumas atividades específicas de cada um deles. Veja abaixo:

  • Fígado: tem função de drenar e regular a energia do nosso corpo, e como a natureza da madeira é o crescimento, o fígado é, então, pertencente à madeira;
  • Coração: tem a função de aquecer, por isso o coração pertence ao fogo;
  • Baço: tem a função de transformar, e como a natureza da terra é de produzir e de transformar todas as coisas, o baço portanto pertence à terra;
  • Pulmão: tem a função de purificar, e a natureza do metal é justamente a pureza. Por isso, o pulmão pertence ao metal;
  • Rins: têm a função de comandar a água, e como a natureza da água é umedecer, logo, os rins pertencem à água.

Portanto, como se vê, os órgãos e suas respectivas funções interagem com o meio. Os meridianos, assim, são um sistema de canais por onde a energia vital flui e regula as funções dos órgãos, que são classificados em dois segmentos:

1. Zang
Os cinco órgãos yin, também chamados de Zang, são responsáveis pela reserva, circulação de energia e fluídos corpóreos. Eles também são chamados de órgãos cheios. Exemplos dos Zang são: fígado, coração, baço, pulmão e rins. Há, ainda, uma sexta função, conhecida como circulação-sexualidade, que refere-se especificamente ao pericárdio.

2. Fu
Os seis órgãos yin, também chamados de Fu, são vísceras ou órgãos ocos, cujas funções se parecem com as descritas pela medicina ocidental na transformação de substâncias e eliminação de toxinas e produtos decompostos. São eles: intestino delgado, intestino grosso, vesícula biliar, estômago, bexiga e uma função chamada triplo reaquecedor, responsável pelas funções respiratória, digestiva, gênito-urinária e pelo metabolismo.

Meridianos e os horários

No indivíduo, cada órgão tem um horário específico para que atinja seu potencial máximo. Isso porque a energia vital circula pelo corpo com maior ou menor intensidade ao longo do dia, dependendo muito do horário. Não é à toa que o acupunturista, na hora da sessão, também questiona o paciente sobre seus horários e pergunta como é sua rotina. Essas informações são muito valiosas para entender melhor qual o problema e como o tratamento poderá ser feito, sempre da forma mais adequada possível para aquele paciente em questão.

Confira abaixo a circulação energética nos principais meridianos:

Das 23:00 à 01:00 – Horário da vesícula biliar

É muito importante dormir nesta faixa de horário para não sobrecarregar a vesícula e o fígado. Trata-se de um período do dia muito importante para regeneração.

Da 01:00 às 03:00 – Horário do fígado

Procure sempre descansar neste horário, pois, enquanto você relaxa, seu fígado está trabalhando intensamente para desintoxicar seu corpo.

Das 3:00 às 05:00 – Horário do pulmão

Este é o período em que a energia é distribuída para todo o corpo e também quando mais sangue e oxigênio vão para os órgãos.

Das 5:00 às 07:00 – Horário do intestino grosso

É uma boa hora para expelir o desperdício do corpo. Bom horário também para beber a famosa água morna e fazer muitos exercícios.

Das 7:00 às 09:00 – Horário do estômago

Aproveite este período do dia, logo pela manhã, para comer um maravilhoso e nutritivo café da manhã.

Das 9:00 às 11:00 – Horário do baço

Período de atividade ao máximo! O corpo está em sua energia total!

Das 11:00 às 13:00 – Horário do coração

Neste horário do dia, relaxe e evite o estresse. Não é aconselhável fazer exercícios.

Das 13:00 às 15:00 – Horário do intestino delgado

Aqui, o corpo assimila o alimento do almoço, então também é bom evitar estresse e exercícios muito intensos.

Das 15:00 às 17:00 – Horário da bexiga

Dê um gás no trabalho e nos estudos. Essa é a hora! Bom horário para tomar decisões importantes.

Das 17:00 às 19:00 – Horário dos rins

Período de restauração das energias física e mental.

Das 19:00 às 21:00 – Horário do pericárdio

Ótimo horário para meditação, leitura e atividades sexuais.

Das 21:00 às 23:00 – Horário do triplo aquecedor

Meridiano relacionado a muitos órgãos e funções, neste horário ele está em sua função máxima, atuando para proteger o corpo. É um bom horário para relaxar e dormir também.

Concluindo…
A visão energética da medicina chinesa, bem como suas teorias e ensinamentos, ainda não são compreendidos totalmente pela ciência moderna, principalmente de um ponto de vista cientifico.

O mecanismo de ação da acupuntura comprova-se pela sua participação nos sistemas nervosos central e periférico com a liberação de substâncias, hormônios e também pela liberação de neurotransmissores, desencadeando respostas às mais diferentes patologias.

Mas, para o acupunturista, a visão é muito mais abrangente do que apenas a inserção de uma agulha no paciente. Há uma interação com o meio, os canais de energia, o médico, a cultura e a ciência. O importante nos tratamentos ocidental e oriental são as visões que se complementam.

Referências
WANG, Bing. Princípios de Medicina Interna do Imperador Amarelo (Dinastia Tang – Edição bilíngue). São Paulo. Editora Ícone. 2001.
Yamamura, Marcia Lika e Ysao. Guia de acupuntura – Barueri, SP. Manole 2015 – (Série guias de medicina ambulatorial e hospitalar Unifesp e Escola paulista de medicina)
Donatelli, Sidney: Macro e microcosmos: visão filosófica do taoísmo e conceitos da medicina tradicional chinesa. São Paulo. Editora CLA, 2007.
Jr. Dulcetti, Orley. Pequeno tratado de acupuntura tradicional chinesa. Sâo Paulo. Editora Andrei, 2001.
Stux, Gabriel e Pomeranz Bruce. Basics of Acupuntur. Springer-Verlag – Berlim, 2004.
Soulié de Morant, George: L’Acupunture Chinoise, Maisonneuve, 1934
Dao de Jing (Tao Te king), Lao Zi

Ativo Saúde
Deixe seu Recado