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Terça-feira, 28 de Maio de 2019 - 09:45 - Atualizado em 28/05/2019 10:04

Estudo de Caso: Acupuntura, Ventosaterapia e Moxabustão na Melhoria da Qualidade de Vida de um Cliente com Hiperidrose.

Artigo elaborado por Carla Ceppo, baseado no TCC da aluna Cintia M.L.Luizeto, para conclusão de pós graduação em Acupuntura pelo CETN.

Na medicina ocidental, para a manutenção da homeostasia corporal, o volume e a composição dos líquidos corporais devem permanecer relativamente constantes. A produção de suor é regulada pelo sistema nervoso autônomo (SNA) simpático e tem relação direta com o controle da temperatura do organismo. A quantidade de líquido que se perde no suor é variável, dependendo do nível de atividade física e da temperatura do ambiente. Normalmente o volume de suor é de apenas 100mL/dia, aproximadamente. Mas, quando faz muito calor ou durante exercícios físicos intensos, a perda de água através do suor pode chegar de 1 a 2 L/h.

A Hiperidrose é uma condição que provoca suor excessivo e ocorre mesmo sem a presença de qualquer um desses fatores mencionados acima, ou seja, a pessoa pode transpirar até mesmo em repouso. Essa sudorese excessiva e constante ocorre por diferentes causas, como o estresse, a instabilidade emocional, fatores hereditários ou doenças, acontece por hiperatividade das glândulas sudoríparas, podendo manifestar-se nas palmas das mãos, plantas dos pés, axilas, rosto, sob as mamas, na região inguinal e no couro cabeludo, enfim partes do corpo que contém maior número dessas glândulas. Há dois tipos de Hiperidrose, a primária focal que aparece na infância ou adolescência, geralmente, nas mãos, pés, axilas, cabeça ou rosto. As pessoas não suam quando dormem ou em repouso. Afeta de 2% a 3% da população, no entanto, menos de 40% dos pacientes com essa condição consultam um médico. Já a secundária generalizada costuma surgir na fase adulta e está relacionada a uma doença de base e seu tratamento consiste fundamentalmente na correção desta patologia. As pessoas com a secundária suam em todas as áreas do corpo ou em regiões incomuns e podem transpirar excessivamente também durante o sono.

Pela interpretação da MTC, a fisiopatologia energética da Hiperidrose se dá pelo excesso de atividade cardíaca que produz e transfere o Calor ao sangue. No interior dos vasos o sangue é transportado para o organismo, produzindo desta forma o Calor interno, o qual aumenta o metabolismo celular, que de modo reflexo, utiliza as glândulas sudoríparas para ativar a sudorese. Assim, considerando a importância do emocional no controle da Hiperidrose e o caráter holístico da Acupuntura e de outras Práticas Complementares, estes se tornam importantes possibilidades de tratamento nesses casos.

O caso relatado no TCC foi de um paciente que apresenta Hiperidrose na região do couro cabeludo, que a Medicina. O paciente recusou se submeter a procedimentos invasivos ou cirúrgicos, mas sofre com os efeitos deste distúrbio. Sendo assim, propôs-se um tratamento que poderia proporcionar equilíbrio e bem-estar, melhorando sua qualidade de vida e ao mesmo tempo, subsidiar a construção de trabalhos científicos que tratem deste tema. As dificuldades que surgiram para a realização deste trabalho foram recusa das agulhas pelo voluntário no decorrer do tratamento e a análise dos resultados, devido à subjetividade dos mesmos.

O diagnóstico energético foi determinado através de interrogatório, com base no instrumento utilizado no Ambulatório do CETN, o qual contém questões abertas, que investigam o paciente como um todo. Além da utilização das técnicas de diagnóstico do pulso e da língua. A proposta terapêutica se deu de acordo com o resultado do diagnóstico energético, baseado nos 8 Critérios (Exterior/Interior – Excesso/Deficiência – Calor/Frio – YIN/YANG), nas Síndromes das Substâncias Fundamentais, nas Síndromes dos Órgãos e Vísceras (ZANG/FU) e nos “5 Elementos”. Assim, deu-se o Diagnóstico Energético como sendo um desequilíbrio de Localização Interior e de Natureza Calor. Um Calor interno, de característica YANG, com Ascendência de YANG do Fígado (gan), em alguns momentos e Calor no Fígado (gan) invadindo o Coração (xin). O tratamento utilizando técnicas e pontos de Acupuntura, Ventosaterapia e Moxabustão; foram escolhidos após a realização das etapas citadas acima.

Para complementar o diagnóstico, foi utilizado o equipamento RDK e com base no gráfico gerado, puncionou-se os pontos: Lado Esquerdo: tonificação CS9 (zhongchong), C9 (shaochong) e em sedação E36 (zusanli), VB34 (yanglingquan), F3 (taichong).  Lado Direito: tonificação CS9 (zhongchong), B65 (shugu) e em sedação P9 (taiyuan), IG11 (quchi), TA10 (tianjing), VB34 (yanglingquan), F3 (taichong). Além do Ponto Extra YINTANG. Durante 30 minutos. Foi oferecido ao voluntário complementar o tratamento com Auriculoterapia, porém mesmo relatou já ter usado e não ter se identificado, pois o material na orelha o incomoda.

Na sessão seguinte, o paciente relatou não obter melhora dos sintomas. Puncionou-se bilateralmente, os Pontos Fontes R3 (taixi), BP3 (taibai), P9 (taiyuan), C7 (shenmen).  Além do Ponto Extra YINTANG. Durante 30 minutos.

Seguindo com o tratamento, o cliente apresentou-se muito agitado com o relato de ainda estar suando muito e urinando pouco. Recusou agulhas, pois possui trauma de infância e não quer continuar o tratamento, mesmo com as finas agulhas de Acupuntura. Foi utilizado Ventosaterapia nos Pontos SHU Dorsais. Aplicando-se por 20 segundos os copos na coluna e por 5 minutos nos pontos paravertebrais. Os pontos correspondentes ao BP, R, C, B, P, F e VB mostraram estagnação moderada com congestão e toxinas, observando-se uma piora no lado direito; ID e E mostraram circulação saudável. Assim, realizou-se um reforço de 5 minutos nas áreas com maior estagnação, ou seja, no lado direito, C, F, R e B.

Na sessão posterior, o cliente relatou ter gostado muito da técnica de Ventosaterapia. As marcas de estagnação da última sessão já haviam desaparecido. Assim, repetiu-se a técnica, deixando o copo por 5 minutos em cada região correspondente aos órgãos e vísceras, de acordo com a Tabela de Ventosaterapia do Professor Jóji Enomóto. Onde as regiões de P e B mostraram deficiência de QI e XUE; de C, BP, R e F mostraram estagnação moderada com congestão e toxinas; já de E, VB, IG e ID mostraram circulação saudável. Realizou-se reforço por mais 5 minutos em região de F, C, B, R e P no lado direito do corpo, onde a resultado estava pior.

No encontro seguinte, o cliente relata estar exausto e ainda suando muito. Percebeu-se um comportamento bastante agitado. Optou-se pela Técnica de SHU Antigos. Assim, através do Ciclo KO ou Ciclo de Controle Avô-Neto, pensou-se em Sedar Fogo e Tonificar Água. O voluntário optou por tentar as agulhas, novamente. Foram puncionados os pontos C3 (shaohai) e R10 (yingu), bilateralmente, por 30 minutos. Entretanto, pode-se observar grande tensão devido às agulhas.

Na consulta posterior, embora a Terapeuta tenha percebido melhora no estado físico, mental e emocional do cliente, o mesmo relatou nenhuma melhora perceptível. Realizou-se Moxabustão indireta, com Moxa bastão de Artemísia, em R1 (yongquan), bilateralmente e Ventosaterapia, com o material já citado acima, em VG14 (juque) por 10 minutos.

Nas três sessões seguintes, realizou-se a Técnica de SHU Antigos, considerando o Ciclo SHENG ou Ciclo de Geração Mãe-Filho, com Moxabustão, utilizando a Moxa botão de Artemísia, nos pontos F2 (xingjian) e CS8 (laogong). Já na sessão posterior, utilizou-se F2 (xingjian) e C8 (shaofu). Dessa forma, objetivando-se sedar o Elemento Madeira. Além de tranquilizar a mente com Moxabustão indireta utilizando-se Moxa incenso no Ponto Extra YINTANG.

No penúltimo encontro, optou-se pelos pontos da Técnica de Vasos Maravilhosos, utilizando-se Moxabustão, com Moxa botão de Artemísia nos pontos do Vaso YANG WEI MAI, que são TA5 (waiguan) e VB41 (zulinqi), com o objetivo de transferir a energia YANG de cima para baixo e de baixo para cima.

No último encontro, optou-se pelos pontos da Técnica de Vasos Maravilhosos, utilizando-se Moxabustão, com Moxa botão de Artemísia nos pontos do Vaso CHONG MAI, os quais são BP4 (gongsun) e CS6 (neiguan), com a finalidade de distribuir a energia YIN, transferindo-a da superfície para a profundidade e vice versa. É importante ressaltar, que as sessões ocorreram durante três meses, conforme a disponibilidade do voluntário e para direcionar o tratamento e as sessões, foram utilizadas as apostilas do CETN e o Guia Prático de Acupuntura.

Para comprovar os resultados, foram comparados os gráficos de RDK, colocados abaixo. Considerando o primeiro gráfico, em que a linha média está em 57, pode-se dizer que o cliente está em um nível fisiológico e que os ZANG FU PC (xin bao), C (xin), BP (pi) e B (pang guang) que estão abaixo desta linha e os pontos de F (gan) e VB (dan), que encontram-se acima desta linha, deveriam ser tratados.

Observando o segundo gráfico, pode-se dizer que o tratamento estava sendo eficaz, pois a linha média está em 56, ou seja, manteve-se dentro do nível fisiológico e os pontos referentes aos ZANG FU se aproximaram da faixa de equilíbrio energético, mostrando um desenho mais harmônico do que no primeiro gráfico. Principalmente, em relação aos pontos que representam o ZANG F (gan), o qual foi o foco do tratamento, essencialmente, nas últimas sessões, em que se procurou sedar F (gan), que é o ZANG do Elemento Madeira.

Entretanto, ainda há uma distância maior dos pontos do FU B (pang guang) em relação à faixa. Indicando que o tratamento poderia continuar com uma atenção maior neste FU.

GRÁFICO PRÉ TRATAMENTO

2019, artigos, editor,
2019

GRÁFICO PÓS TRATAMENTO

2019, artigos, editor,
2019

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