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Terça-feira, 17 de Setembro de 2019 - 10:12 - Atualizado em 17/09/2019 10:40

Auriculoterapia associada à nova Acupuntura Craneana de Yamamoto no alívio da alergia

Baseado no TCC da aluna Rachel Fonseca Ciccone

A relação entre manifestações clínicas respiratórias com o Elemento Metal e seu órgão (zang) Pulmão é notável. Isso se deve ao Pulmão reger e influenciar nossa pele e nariz. Segundo a tabela dos 5 Elementos, o Pulmão se encontra no Elemento Metal, acoplado ao Intestino Grosso, regendo a pele, pelos e o nariz, e carregando a emoção Tristeza. Está situado no Aquecedor Superior (porção superior do tronco, acima do diafragma), dirige e governa o Qi (energia), controla a "descida e a eliminação", regula a circulação "na via das águas”

O corpo de um ser humano possui regiões com elevada concentração de terminações nervosas, que servem tanto para diagnóstico quanto para fins terapêuticos. São pequenas áreas que apresentam correspondência anatômica e funcional com todo o organismo. Os Microssistemas carregam informações embriológicas completas, contém micro meridianos energéticos e atuam em nível físico, emocional e mental. Cada parte de um Microssistema influencia uma grande área do organismo, e os pontos e regiões comprometidas apresentam alterações energéticas, elétricas, nervosas, circulatórias, estruturais e de sensibilidade. Os estímulos produzem ou modificam informações conduzidas através de sinais elétricos, impulsos nervosos ou fluxos energéticos, onde mesmo pequenos estímulos provocam grandes efeitos. Os pontos dos microssistemas podem ser estimulados com o dedo, agulha, massagem, semente, esfera, cristal, entre outras ferramentas da MTC.

O trabalho presente aborda a utilização da associação de dois Microssistemas em questão: A Auriculoterapia e a Ynsa, conhecida como Yamamoto New Scalp Acupuncture (Nova Acupuntura Craneana de Yamamoto), principalmente para o alívio dos sintomas e tratamento da Rinite Alérgica/Asma, mais comumente conhecida socialmente como Alergia.

AURICULOTERAPIA CHINESA

Quando existem desarmonias no organismo, a Acupuntura emerge trazendo soluções assimiláveis pelos 5 Elementos envolvidos, produzindo conforto e tratando a doença. Essa ciência terapêutica realizada com agulha e calor também é aplicada nos microssistemas do corpo, como é o caso da orelha. A orelha está intimamente relacionada com um grande número de canais e colaterais, através dos quais o Qi e o Xue se comunicam, expressando a atividade funcional de todo o organismo. Muito estudada na medicina ocidental como órgão vestibulococlear, responsável pelo equilíbrio e pela audição, é considerada pela medicina oriental também como um sistema diagnóstico e passível de intervenção terapêutica.   (SILVA, Paula Raquel da, 2012)

Existem relações fisiológicas entre o pavilhão auricular e diversas partes do corpo. Quando surge uma alteração ou reação de sensibilidade ou de eletro condutibilidade em determinado ponto reflexo do pavilhão auricular, significa que um órgão ou parte do corpo apresenta algum problema patológico. A Auriculoterapia, técnica terapêutica de estimulação no ponto reflexo na orelha para curar uma doença, possui vantagens em apresentar poucos efeitos colaterais, além da aplicação ampla e de manipulação simples. (WEN, Tom Sintan, 2006).

YAMAMOTO NEW SCALP ACUPUNCTURE (YNSA)

 Técnica de Craniopuntura Japonesa, reconhecida também como um Microssistema e que consiste em inserir agulhas de acupuntura em determinadas áreas do couro cabeludo, relacionadas com a projeção de áreas corticais específicas, com o objetivo de alcançar os efeitos terapêuticos de forma indolor, simples e rápida.

YNSA

Há muitos anos, um médico anestesista japonês chamado Toshikatsu Yamamoto, atendia lavradores de arroz que ficavam com os pés submersos na água por horas. Ele anestesiava e auxiliava no alívio das dores dos pacientes. Certa vez, um paciente referiu grande melhora do sintoma logo após a aplicação, o que estranhou, uma vez que havia injetado apenas água destilada. Yamamoto então fez experimentos de estimulação nas regiões de dor com agulha sem anestésico e obteve resultados benéficos. Logo, se interessou pela Acupuntura e pela Craniopuntura Chinesa, experimentou alguns pontos e começou a fazer seus estudos e pesquisas.  Durante 30 anos, de acordo com os casos e as identificações das áreas além dos resultados, ele conseguiu mapear o Crânio, desenvolvendo a técnica YNSA, cuja foi apresentada pela primeira vez em 1973, no Japão. (YAMAMOTO, 2007). Utiliza-se agulhas, laser, magnetos, massagem, sementes, esferas, agulhas intradérmicas, etc. Qualquer estímulo pode ser feito, desde que acertada a região do ponto. Nenhum ponto possui função definida. Eles tratam em níveis físico, energético, mental e espiritual, servindo tanto para diagnóstico quanto tratamento. Normalmente, ao acertar os pontos, a YNSA proporciona alívio imediato de no mínimo 80%. A forma de localização dos pontos segue a mesma linha da Auriculoterapia, sendo importante ressaltar a palpação e inspeção onde pode-se encontrar pontos alterados, doloridos, inchados ou com caroços.  É uma técnica simples, segura e fácil que alivia as dores rapidamente, com grande eficácia em grande parte dos casos. Não oferece riscos pois os pontos utilizados são superficiais no couro cabeludo; além de otimizar tempo e espaço, uma vez que o paciente pode ser atendido sentado.  A YNSA divide a cabeça, seguindo uma linha vertical passando pelo ápice da orelha. A parte anterior é YIN e a posterior é YANG. A mais usada é a parte YIN. Deve-se escolher pontos homolaterais em relação às queixas do paciente. Para desarmonias da parte superior do corpo, é recomendado apalpar o ponto IG4, ponto do Meridiano do Intestino Grosso localizado nas costas da mão, próximo ao polegar, bilateralmente e escolhendo o lado que estiver mais sensível. Para desarmonias da parte inferior do corpo, deve-se palpar o ponto D simetricamente e utilizar o lado que estiver mais sensível. Para problemas de órgãos e meridianos, utilizar o lado em que os pontos Y estiverem mais sensíveis. Para sequelas neurológicas, utilizar pontos contralaterais ao problemas.   O tempo de aplicação para casos agudos é de 20 a 30 minutos e para casos crônicos de 40 a 50 minutos. Caso não haja nenhuma melhora imediata, rever os pontos utilizados e a aplicação. Os pontos devem ser atingidos com precisão, caso contrário não se obterá o resultado desejado. (YAMAMOTO, 2007).

A ALERGIA E SUA RELAÇÃO COM O PULMÃO

Também conhecida como Rinite Alérgica, a Alergia é uma doença classificada nos moldes da Medicina Ocidental, gerando uma necessidade de estabelecer os sintomas correspondentes à Literatura Médica Chinesa. A referência literária inglesa e chinesa relacionam a alergia ao sintoma chinês “Bi Yuan”, que significa “nariz empoçado”. A alergia, segundo a Medicina Ocidental, provém de uma reação antígeno-anticorpo na mucosa nasal. Sendo os antígenos apenas partículas de pólen, é chamada de rinite alérgica sazonal. Se são de poeira, resíduos fecais de ácaros, fungos e pelo de animais, a doença é denominada rinite alérgica perene. Nesta última, o nariz torna-se reativo a estímulos não específicos, como fumaça de cigarro, cheiro de gasolina, perfumes e no caso de acupunturistas, fumaça de moxabustão (bastão de artemísia utilizado como ferramenta terapêutica dentro da medicina chinesa).  No processo patológico, a diferença entre a alergia e a asma reside no fato da histamina desempenhar um papel mais relevante e importante no desenvolvimento da rinite alérgica do que da asma. Por isso, os anti-histamínicos são mais eficazes para alergia do que para a asma.  A Alergia acontece como o resultado entre o alérgeno inalado e as moléculas de anticorpos chamadas IgE. Estes anticorpos se aderem aos mastócitos (células do tecido conjuntivo, que trazem dentro de si grande quantidade de histamina e heparina), alinhando o epitélio nasal após a primeira exposição ao agente alérgico. Essa reação sensibiliza os mastócitos, atraindo níveis altos de IgE que aderem à sua superfície. Logo, os IgE provocam uma “explosão” nos mastócitos, liberando a histamina (neurotransmissor liberado pelo sistema imunológico durante uma reação alérgica). Esta, por sua vez, aumenta a permeabilidade do epitélio, liberando os alérgenos para alcançarem os mastócitos IgE sensibilizados. A partir do momento que que os alérgenos entram em contato com o nariz, inicia-se em minutos uma hiper estimulação do nervo terminal aferente (nervos que conduzem sinais sensoriais - da pele ou órgãos dos sentidos, como o nariz), resultando no espirro. Essa reação é seguida pelo aumento da secreção nasal e eventual obstrução nasal, cerca de 15 a 20 minutos após o contato com os agentes alérgicos. Quanto maior a estimulação e o contato com os alérgenos, maior a quantidade de mastócitos presentes na mucosa nasal, o que aumenta a sensibilidade nasal a menores quantidades de alérgenos.   

Segundo MACIOCIA, 1996, esses mastócitos, em caráter excessivo na rinite alérgica, gera um edema na mucosa, podendo obstruir a drenagem do seio paranasal, causando sinusite (inflamação da mucosa dos seios nasais, quando as cavidades nasais estão “bloqueadas”) em 50% dos pacientes. Alguns indivíduos podem ainda perder o paladar e o olfato.

Sob uma nova teoria da rinite alérgica, a Medicina Chinesa reconhece a Alergia como reação de uma Deficiência dos Sistemas de Defesa do Qi do Pulmão e Rim, combinadas com retenção de Vento-Crônico no nariz. Essa deficiência é tanto hereditária como proveniente de problemas na gravidez e/ou parto. Uma Deficiência do Sistema de Defesa do Qi do Rim envolve apenas este aspecto em particular da função do Rim, não gerando reações como zumbido, tontura, transpiração noturna, fraqueza nas costas e pernas - sintomas comuns de outros desequilíbrios de Rim. Os Rins são envolvidos na rinite alérgica não apenas na Raiz da doença, mas também na Manifestação, via o meridiano central, Vaso-Governador. Este emerge da região entre os Rins, flui pela espinha até o topo da cabeça, passa pelo nariz, finalizando nos lábios, sendo, portanto, o Meridiano de Conexão entre os Rins e o Nariz. 

Por essa razão, os Rins são os responsáveis pela respiração (devido a sua função de reter o Qi) e também pelo espirro. A secreção nasal da rinite alérgica é sempre branca e aquosa, o que indica a Deficiência do Qi de Defesa (Wei Qi), difundido pelos Pulmões. (MACIOCIA, 1996)  O Pulmão possui as funções de Harmonizar o Qi e de controlar a respiração. O Zhong Qi, que constitui o Qi do tórax, é responsável pelos movimentos de respirar e dos batimentos cardíacos, auxiliando o Pulmão na circulação de Qi e o Coração na circulação de Xue. Por isso, se as funções de Zhong Qi e do Pulmão (Fei em chinês) estão harmoniosas, a respiração é suave e regular, enquanto se há desarmonia, se estão enfraquecidos ou obstruídos na sua circulação, a respiração torna-se debilitada afetando as funções de Difusão e Descida dessas energias. Ao estar envolvido na formação e na circulação do Qi, o Pulmão desequilibrado pode gerar Deficiência ou Estagnação de Qi em qualquer parte do corpo. Segundo SILVA JUNIOR, 2005, a função de Difusão do Pulmão promove a disseminação, a propagação e a circulação do Qi. O Zhen Qi, formado no Pulmão, se divide em dois aspectos, o Wei Qi e o Yong Qi. O Pulmão fica encarregado de difundir o Wei Qi, que é a energia de defesa, através dos músculos e da pele, principalmente fora dos meridianos. Com o tempo, ele também promove a difusão do Yong Qi, que é a energia de nutrição, através do corpo dentro dos canais e meridianos e dos Vasos Sanguíneos. Além deles, ele também auxilia a Difusão do Jin Ye, líquidos corpóreos, distribuindo o Jin (parte mais límpida e pura) pela pele e músculos, fluindo conjuntamente com o Wei Qi; e a distribuição do Ye (parte mais pesada e turva) para os Zang Fu, articulações, cérebro e orifícios, conjuntamente com o Yong Qi. Por isso que a debilidade em alguma dessas funções do Pulmão pode provocar as deficiências e estagnações já relatadas anteriormente. O Pulmão abre-se no nariz, que é a via de entrada da respiração, para a garganta, conhecida como a ‘porta do Pulmão’ e é a residência das cordas vocais. Assim, se o Qi do Pulmão estiver debilitado e se houver o enfraquecimento da respiração, das funções do Pulmão de difundir, de umedecer e de proteger, poderá haver bloqueios na circulação do Qi ou inflamação do nariz e da garganta, surgindo os desarranjos das cordas vocais. (MACIOCIA, 1996)

 A Rinite Alérgica, ou Alergia, localizada nas vias aéreas superiores, possuem relação direta com o órgão do Elemento Metal, o Pulmão, uma vez que este é considerado o mais externo dos órgãos devido a sua ligação de fato com o mundo externo, pela garganta e nariz. Claramente, seus sinais e sintomas atingirão principalmente esse órgão e tudo aquilo que ele rege: a pele, o nariz, o olfato, reações provenientes de desequilíbrios energéticos do Pulmão, e envolvidos diretamente ou indiretamente a ele. As principais manifestações clínicas da rinite alérgica são congestão nasal, secreção nasal aquosa, espirros, afetando em alguns casos a conjuntiva e os olhos, os tornando vermelhos com prurido. Segundo MACIOCIA, 1996, em 20% dos casos, há ainda a presença de asma em associação com rinite.  A Deficiência de Qi do Pulmão pode gerar sintomas como fadiga, falta de ar, tosse asmática e sem força, dispnéia a um leve esforço, voz fraca, transpiração espontânea, temor ao frio, rosto pálido e opaco, língua pálida e pulso fraco. A respiração é superficial e falta a força para tossir e falar. Logo, se a energia do Pulmão não consegue difundir a Energia de Defesa até a parte superior do corpo e a sua superfície, os poros se abrem gerando a transpiração espontânea e o temor ao frio. Rosto pálido reage ao fato da Energia e do Sangue não poderem subir à face para dar o brilho. (SILVA JUNIOR, 2005)  Quando a Secura lesa o Pulmão, causa danos aos líquidos orgânicos (Jin Ye), e o Pulmão falha em sua função de nutrir, umedecer, purificar e fazer a energia descer.   Segundo SILVA JUNIOR, 2005: “Embora o Intestino Grosso seja acoplado com o Pulmão, a Fisiologia e a Patologia desta Víscera estão muito mais ligadas às do Baço-Pâncreas, Estômago e Intestino Delgado do que com as do Pulmão, pois o Intestino Grosso é a parte final do tubo digestivo, por isso a maioria das desarmonias dessa víscera relaciona-se com os Zang Fu ligados com o tubo digestivo.”  No entanto, não é incomum indivíduos com desequilíbrios energéticos do Pulmão, relatarem alterações em seus movimentos peristálticos, envolvendo a víscera do Elemento Metal, o Intestino Grosso. Sintomas como constipação, flatulências, sensação de plenitude no hipocôncrio, cólicas ou diarréias podem ser manifestações secundárias.  As patologias do Elemento Metal se manifestam pela tristeza e pesar crônicos, incapacidade de se desprender, tendência a viver no passado, autocomiseração, sensibilidade excessiva, inveja, ciúmes, egoísmo, tristeza profunda, obsessão e distração. Falam do medo da mudança, do apego a certas atitudes, a padrões rígidos e estereotipados. Podem desenvolver extrema dificuldade em fazer vínculos ou mantê-los.   MACIOCIA, 1996, diz: “A tristeza prolongada é frequentemente refletida sobre o Pulso, que é debilitado nas posições frontais dos lados esquerdo e direito (Pulmão e Coração)”.

METODOLOGIA

Foi realizado um Estudo de Caso Clínico com um tratamento de uma paciente alérgica que buscou ajuda na Medicina Chinesa. O Tratamento durou onze meses, tendo seu início em Junho de 2015 e finalização em Maio de 2016, com aplicações realizadas na frequência de 1 vez por semana. D.A.S, mulher, 34 anos, tem Queixa Principal de Alergia e Rinite. Relata outras queixas e sintomas como dores nas costas, insônia, constipação. Em fase de investigação e avaliação foi possível estabelecer que a paciente possui a compleição mais fraca, magra, pálida com cabelos finos, pele oleosa e tímida. Após questionar, paciente relata não se alimentar tão bem, comendo verduras e legumes esporadicamente, e beber água relativamente bem. Ela conta também sentir fadiga, dores em região torácica, ter dificuldades de sono e é muito emotiva. Transpira bastante, principalmente no calor e aos fazer exercícios físicos. Possui desequilíbrios menstruais, fazendo uso de pílula anticoncepcional. Ao ser questionada sobre seu lado emocional, a paciente diz ser introspectiva, guardando seus sentimentos e pensamentos. Traz a história infantil, contando que seus pais se separaram quando tinha 1 ano de idade, sendo assim, filha única, vivendo com a mãe e mais distante do pai. Teve asma forte quando criança, desenvolvendo depressão infantil próxima dos 12 anos de idade. Cresceu bastante alérgica. Paciente trabalhou em diversas áreas, de RH corporativa, posteriormente barista e garçonete, a atendimento e criação em gráficas. Na inspeção, a Língua rósea-pálida, sem saburra, denteada nas laterais, com uma depressão quase na ponta da língua e uma fissura no centro para a ponta e indicação de umidade. Também apresentava pontos vermelhos, papilas vermelhas no centro e laterais do corpo da língua. Na inspeção do Pavilhão Auricular, encontra-se uma orelha rígida, pequena, sem manchas, com algumas veias vermelhas em áreas de Alergia, Asma, Baço e Fígado. 

CONDUTA E PROPOSTA TERAPÊUTICA

De acordo com o Diagnóstico Energético, foi possível encontrar a melhor e mais adequada proposta terapêutica, utilizando as técnicas escolhidas Auriculoterapia e a YNSA. A proposta envolve tonificar e mover o Qi do Pulmão, tonificar o Yin do Rim, tonificar o Xue do Fígado, mover o Qi e Xue no Fígado, harmonizar Baço-Pâncreas e Triplo Aquecedor Superior, além de Acalmar o Shen. Obviamente, no caso dessa paciente, a orientação de eliminar os agentes alérgicos de sua convivência e melhorar alimentação e hidratação, também é bem vinda. No caso da Técnica da Auriculoterapia, não há necessariamente a possibilidade da especificidade de ação de cada proposta (tonificar, sedar, mover), ou seja, escolhe-se os pontos relacionados a essas propostas, em cada Zang Fu ou regiões afetadas, e o próprio organismo reequilibra e rearmoniza o que for necessário em cada região ou órgão. Mesma situação acontece com a Técnica de YNSA. Os pontos utilizados terão como função reequilibrar a região necessária dentro do diagnóstico da paciente do caso clínico.

 A seleção de pontos para essa Conduta Terapêutica engloba os pontos seguintes: • Auriculoterapia: Shen Men + Rim + Simpático (Triângulo Cibernético) / Ponto da Asma e Ponto da Alergia / Ponto Triplo Aquecedor (TA) e Ponto Ansiedade/ Ponto do Pulmão, Ponto do Fígado, Ponto do Coração, Ponto do Baço / Ponto do Relaxamento Muscular, Ponto da Neurastenia. Tendo utilizado esporadicamente o Ponto do Estômago, o Ponto do Intestino Grosso, o Ponto do Útero e o Ponto da Dentição, de acordo com sintomas isolados em algumas sessões (azias, constipação, cólicas, dor de dente).

• YNSA: Ponto Básico A + Ponto Sensorial do Nariz / Ponto Básico D (usado poucas vezes para dor lombar).  Para as aplicações da Auriculoterapia foram utilizados os seguintes materiais:  - Agulhas de tamanho 0,18 x 0,8 mm, retidas nos pontos auriculares por 20 a 30 minutos;  - Semente de mostarda e esfera de cristal, usados semanalmente intercalados, durante 7 dias;  Para as aplicações da YNSA foram utilizadas:  - Agulhas de tamanho 0,20 x 0,15 mm, retidas nos pontos por 20 a 30 minutos.

Durante quase onze meses, o tratamento foi realizado semanalmente, tendo seu início em 16/07/2015, finalizando em 09/05/2016. Os atendimentos seguiram derivados da conduta inicial da primeira consulta, conforme segue:

16/07/2015 – Orelha Direita agulha: Shen Men, Rim, Simpático, Baço-Pâncreas, Relaxamento Muscular, Asma, Alergia, Pulmão. Por 20 min. - YNSA agulha: Ponto A + Ponto Nariz. Por 20 min. - Sementes: Shen Men, R, BP, Relax. Muscular, Asma, Alergia, Pulmão.

A partir dessa, seguiram com algumas alterações, tanto de pontos quanto de tempo, chegando ao máximo de 30 minutos por aplicação. Para isso, foi respeitada a utilização de 8 pontos auriculares por sessão, e a escolha de pontos de acordo com os sintomas que a própria paciente relatava.

RESULTADOS

Após passar pelo tratamento de quase onze meses, fazendo uso apenas da Auriculoterapia e da Yamamoto New Scalp Acupuncture (YNSA), buscando melhorar seus hábitos de vida, principalmente buscando ser feliz, em seu relacionamento, em seu trabalho e consigo, a paciente relata um quadro atual de intensa melhora. No início, relatava ter crises de Alergia toda semana e às vezes durante o dia inteiro ou durante vários dias direto. Crises fortes, com sintomas excessivos e limitantes, a Alergia atrapalhava bastante a vida da paciente. Com o auxílio das agulhas e sementes, além da busca na melhora na qualidade de vida, a paciente relata viver uma vida atual sem crises, sem Alergias, sem Asma e realizada em um novo trabalho, em um novo país, casada recentemente.

No início do tratamento, em Junho de 2015, a paciente relatava ter em média quase 15 crises por mês. Seis meses depois, relatou um alívio nos sintomas em quase 50%, caindo para 8 crises. No final do tratamento, em Maio 2016, a paciente relatou uma boa melhora, contando ter tido no máximo 3 crises leves. Em Maio 2016, D.A.S. se mudou de país, indo para um local mais úmido e frio. No início de Dezembro de 2016, ao contactar a paciente em sua nova moradia, foi possível colher o relato dela, em que diz estar 100% sem crises alérgicas, sem asma e sem nenhum dos sintomas iniciais. Seus sintomas atuais incluem apenas uma insônia leve, a qual a paciente refere devido ao fuso-horário e a imersão na nova cultura. Sem dores nas costas, sem irritabilidades ou desequilíbrios menstruais excessivos.

CONCLUSÃO

Um indivíduo classificado como um paciente alérgico possui vários fatores que desencadeiam seus sintomas e sinais referentes à patologia Rinite Alérgica. A importância de uma avaliação criteriosa e minuciosa faz toda a diferença em um atendimento, por ser a grande porta de entrada ao mundo deste paciente. Com uma avaliação bem feita, é importante ressaltar o segundo passo mais importante, que é o diagnóstico energético. Tal diagnóstico classifica os sintomas dentro dos conceitos da Medicina Tradicional Chinesa e com isso, auxilia na montagem da conduta terapêutica e a escolha das técnicas a serem utilizadas. No caso da Alergia, essa avaliação acaba por acontecer quase que a cada sessão, devido a volatilidade das crises de um indivíduo considerado altamente alérgico. É essencial o acompanhamento das crises, frequência, intensidade e os sintomas secundários.  O atual projeto, além de fazer uma revisão teórica dos Fundamentos da Medicina Chinesa, inseriu os conhecimentos sobre os Microssistemas Auriculoterapia e a YNSA e relacionou a Alergia ao desequilíbrio energético do Elemento Metal e o sentimento Tristeza. Finalizou com o estudo de caso clínico da paciente D. A. S., portadora da Alergia e que recebeu o tratamento pelos Microssistemas citados.  Com todos esses dados e direcionamentos, após avaliar e discutir os resultados, foi conclusivo que a utilização dos Microssistemas aliados, Auriculoterapia e a YNSA, foi essencial, importante e extremamente eficaz, após onze meses de tratamento apenas com essa conduta da medicina tradicional chinesa. Tratamento este que zerou a quantidade de crises alérgicas, aliviou os sintomas secundários e orientou a paciente em busca de uma melhor qualidade de vida, caminhando para um equilíbrio energético saudável, inspirando saúde cada vez mais.  Válido ainda ressaltar que deve-se crescer a pesquisa sobre técnicas poucos disseminadas e utilizadas, para os mais diversos sintomas e patologias, para que dessa forma, seja possível melhorar a saúde coletiva, com orientação e informação para a sociedade.

Autora do artigo: Profa. Ma. Luciana Mendes Vinagre

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